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A ida de Kaká custou R$ 180 milhões ao Real Madrid
Diga-me algum brasileiro que não tenha noção alguma do mercado de jogadores de futebol. Agora me diga algum brasileiro que tenha alguma noção do mercado acionário, em sua forma mais simples, a compra e venda de ações. Pois é, a diferença seria brutal. Talvez 99% da população, quem sabe?
Pois bem, eles são muito parecidos! Vide o exemplo de um conhecido de todos, Kaká. Em uma das maiores transações da história do futebol, o jogador foi vendido pela bagatela de R$ 180 milhões. O São Paulo, por ser o clube que formou o jogador, terá direito a 5% da transação, ou seja, cerca de R$ 9 milhões.
O curioso é que isto equivale à metade do valor recebido pelo clube paulista quando negociou Kaká com o Milan, em 2003. Em outras palavras, o São Paulo vendeu Kaká por 10% do que ele vale hoje.
O São Paulo vendeu mal o atleta naquela época? Ou foi o Milan que soube vender muito bem o jogador? Nem um nem outro. Conforme a revista Veja reportou algumas semanas atrás, o negócio de comercialização de jogadores de futebol passou a ser algo altamente lucrativo quando algumas promessas juvenis se tornam craques profissionais. Portanto, jogadores de futebol passaram a ser opção de investimento para grandes investidores e algumas empresas.
Os jogadores, então, passaram a ser considerados como ativos na carteira de investimento destes agentes do mercado e, portanto, passaram a ser avaliados economicamente como os demais ativos financeiros. Ou seja, o preço de um ativo (jogador) deve ser equivalente a toda sua valorização futura esperada, descontado no tempo por uma taxa que reflita todos os riscos desta valorização se frustrar, que no caso de um jogador de futebol, são nada desprezíveis.
Um jogador recém-formado, o Kaká de oito anos atrás, pode ser considerado equivalente a uma ação small cap. Tem grande potencial de crescimento, mas seu futuro é incerto. Podemos dizer que seu fluxo de caixa está sujeito a poucos custos (salário) e pequenos investimentos (passe), mas que sua receita futura também está sujeita a grandes riscos (venda).
Já o Kaká de hoje, seria uma Petrobras. Ação de maior liquidez do Índice Bovespa, negociada em Nova Iorque, um dos ativos mais valorizados do mercado acionário mundial. Baixo risco, grande liquidez e forte estrutura institucional.
Como o craque é hoje um jogador de primeira linha, já eleito como melhor do mundo, restam poucos riscos que podem afetar os rendimentos que ele pode trazer para seu clube e investidores. Logo, são poucos os descontos que afetariam seu preço, que merecidamente também é alto.
O esporte profissional, como um todo, oferece grandes oportunidades. Não só o futebolístico. Vovó não dizia: “um ovo em cada cesta”? Pois bem, é de se pensar.
João Pedro Cortez, 25 anos, é formado em Administração pela FEA-USP, já trabalhou com consultoria e está na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo desde 2008.