Se você é um fã de videogame, certamente já ouviu falar em Jogo Justo. Pra quem não conhece, Jogo Justo é uma campanha que está rolando na internet (blogs, twitter) para abaixar o preço dos jogos de videogame no Brasil. A princípio, parece uma idéia longe de se concretizar. Até os próprios gamers, que sofrem com os preços exorbitantes dos jogos, parecem não acreditar muito que um dia um jogo novinho e original vá custar cerca de R$ 50 nas lojas.
Mas a campanha está ganhando cada vez mais repercussão e manifestações de apoio de empresas e políticos, como o deputado federal Luiz Carlos Busato (PTB – RS) – é importante lembrar que não há nenhuma forma de apoio financeiro de qualquer entidade.
Tudo começou quando o empresário e gamer Moacyr Aves Jr. idealizou a campanha e criou um site para promovê-la ( www.jogojusto.com.br). Em menos de dois meses, a campanha já ganhou tanta força que Moacyr está próximo de realizar seu sonho. Em novembro, ele vai se reunir com a Receita Federal e propor uma mudança na categoria que classifica os videogames, o que vai reduzir as taxas de importação.
“Todo mundo só tem a ganhar com a medida. Essa alta carga tributária impede o mercado de se desenvolver, o que prejudica as empresas e os consumidores, que apelam para a pirataria ou compram jogos só no exterior” explica Moacyr. Uma pesquisa feita por ele no site detectou que 95% dos gamers compram jogos no exterior ou piratas.
De acordo com Moacyr, a Receita Federal classifica os videogames como 'jogos de azar', a mesma categoria de jogos de cassino, o que é incoerente e é o principal motivo para os impostos serem tão altos. Um lançamento, que custa cerca US$ 50 nos Estados Unidos, chega aqui custando até R$ 250, quando deveria ser 'cento e pouco'. A campanha defende que o ideal seria cobrar dez ou 15% de impostos em cima do preço em dólar, em vez de 50%, que é a taxa atual.
Um console de Xbox por exemplo, que custa US$ 300 lá, chega a R$ 2mil aqui. O preço para destravar o videogame (para rodar os jogos piratas) é cerca de 200 reais, ou seja, o preço de um só jogo original. Acontece que os jogos piratas prejudicam o videogame. No Xbox, por exemplo, se você destravá-lo não conssegue mais jogar no modo online.
“Se o mercado crescer, as empresas vão querer se instalar no Brasil e os jogos vão passar a ser produzidos aqui, o que barateia”, explica Thiago Simões, jornalista de games. “Não acho que seja uma futilidade, as pessoas têm o direito de se divertir e videogame também é educação. R$ 250 é metade de um salário mínimo”.
Há 20 anos, o Super Nintendo e Mega Drive eram produzidos na Zona Franca de Manaus, o que tornava muito mais barato ser um gamer naquela época – e não existia pirataria desse jeito que existe hoje.
Exemplo latino
Thiago conta que no México foi feito algo parecido: as taxas de importação dos videogames foram reduzidas, o que transformou o país em um grande mercado, lucrativo para as empresas e, ao mesmo tempo, benéfico aos consumidores. “As vendas de jogos originais cresceram oito vezes mais”, lembra.
Segundo Thiago, no início desse ano, o jogo Pro Evolution Soccer 2010 foi lançado em uma promoção pelo preço de 99 reais e acabou vendendo 600 mil cópias, quando o esperado era 30 mil. “Tem gente que fala que brasileiro não tem jeito, que se custasse R$ 1 eles iam piratear do mesmo jeito, o que não é verdade”, protesta. De acordo com a Abragames, cerca de 85% dos jogos vendidos no Brasil são piratas.
Você também pode participar do Jogo Justo, respondendo à pesquisa de perfil no site e retuitando a hashtag #jogojusto, que já ficou até nos trending topics mundial.