Tradicional ou solidário?
Trote tradicional em universidade faz vítima e prática é questionada. Trote solidário é aprovado.

2/2/2010 - 12:04
Por Vinícius Ruiz

Divulgação
Calouro de veterinária é agredido na Unicastelo, em Fernandópolis
Quando se pensa em trote, há pelo menos dois pontos de vista divergentes. De um lado, a instituição de ensino, que tenta proibir o trote. Do outro, os estudantes, estes querendo festa, bagunça e formalizar contatos acadêmicos para uma ajuda futura.


Mas e quando o trote realizado pelos estudantes dá espaço à barbárie? Não adianta, quando um homem é só um pouco animal e se junta com outros tantos da mesma raça, se torna um animal ao quadrado.


A partir daí, o que era para ser festa se torna um problema para os estudantes agredidos, para a instituição e para os que fizeram as agressões. Como não poderia deixar de ser, a temporada de imbecilidades começou por Fernandópolis, interior de São Paulo.


Pego dentro das dependências da universidade Unicastelo, um bixo de veterinária tomou tapas na cara de veteranos do 5º ano, teve suas roupas rasgadas e, para piorar, foi obrigado a tomar álcool combustível. Um dano físico e psicológico sem dimensões.


Trote: tradicional ou solidário?


Todo início de semestre, a Salseirose posiciona a favor dos trotes, mas contra os imbecis. Dessa forma, tentamos levantar uma simples questão: brincadeira aplicada em trotes tradicionais, com o máximo de respeito ao outro, é uma forma sadia de integrar veteranos e bixos. Entretanto, essa é uma linha tênue que pode ser passada facilmente por um ou outro.


Na busca de unir o agradável com responsabilidade, instituições de ensino começam a adotar algumas medidas de segurança contra eventuais abusos.


Anos atrás, estudantes do Mackenzie entravam nas salas de aula e pegavam os bixos para o trote, sem qualquer interferência da segurança da universidade. Os problemas foram surgindo e a atividade dentro das dependências do Mack estão permanentemente proibidas desde 2006.


Esse ano, a FMU proibiu a prática do trote tradicional dentro e nas imediações da universidade. Com ações preventivas e ameaçadoras, apenas pequenos grupos investiram no trote tradicional. Sem alternativas, a integração e a festa quase não aconteceram. Dessa forma, reclamam os calouros, eles deixaram de se conhecer e fazer contatos com os mais velhos, sempre tão

Guga Vasques
Trote sem elefantinho não rola na FMU
importantes na vida acadêmica.


Aí entra um ponto muito importante que estudantes sempre levantam: a integração e formação de uma rede de contatos entre calouros e veteranos desaparecem. De olho nessa lacuna prejudicial a todos os interessados, a FAAP resolveu fazer diferente.


Por uma solicitação dos estudantes, a instituição se empenhou para realizar o trote solidário. Com a supervisão de professores e colaboração e organização ativa das entidades estudantis da Fundação Armando Álvares Penteado, calouros foram recebidos nesta segunda-feira (1), no ginásio do Pacaembu, para participarem de gincanas variadas e se inscreverem em trabalhos voluntários em ONGs assistencialistas.


Esse foi o segundo ano de Trote Solidário na FAAP, dessa vez maior e com grande aceitação entre o público. Foram mais de 600 bixos inscritos. “Eu gostei de participar, achei que ia ser ruim, mas me surpreendi. Estou me divertindo e tudo está bem organizado”, disse o bixo Thomaz Brunetti, 17 anos, que aproveitou o momento para se "enturmar e não mergulhar sozinho na faculdade”.


Na PUC-SP, a prática ainda está bem dividida. Muitos ainda ficam com o trote tradicional, principalmente no começo do ano. Da mesma forma, a ideia de realizar o Trote Solidário partiu da PUC Jr. Consultoria, dez anos atrás.


A instituição pouco ajudou nesse período. Esse ano, entretanto, a Pontifícia Universidade Católica contribuirá com o transporte dos calouros até o lugar onde acontece o trote solidário.


Exemplos bons e ruins acontecem todo o ano. Não é possível saber se o trote tradicional reinará entre os estudantes por muito tempo, apenas que a estupidez de alguns animais, que se dizem universitários, está fazendo o velho trote definhar a cada semestre. E o pior, a opinião pública cada vez mais se utiliza de atos isolados para execrar o trote nas ruas.


A Unicastelo, como não poderia deixar de fazer, abriu uma sindicância para investigar o caso de agressão e a polícia investiga tudo paralelamente. O estudante, ainda atordoado, passou por uma limpeza gastro-intestinal e passa bem.


Já na FAAP, o Trote Solidário acabou em cerveja gelada e sem confusão. A Atlética FAAP organizou uma bela festa na Aldeia Turiassú, com direito a bebedeira na faixa para os bixos, som de DJs e show da bateria.


Na ESPM, veteranos conheceram a bixarada no trote tradicional e o entrosamento foi excelente, com os calouros aprendendo as músicas que a galera costuma cantar ao som da bateria. Houve uma briga entre bixos e um deles se machucou gravemente. Mas a Salseiro estava lá no momento e constatou que a confusão não teve nada a ver com o tro9te em si, foi um problema isolado. Ou seja, com racionalidade, todo mundo se diverte, seja com o trote tradicional ou com as novas ações de atléticas, instituições e etc.

Fernando Ctenas
Diversas gincanas no Trote Solidário da FAAP

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