Lembra do movimento realizado no ano passado pelo WWF-Brasil, de unirem as pessoas ao redor do planeta para apagarem as luzes por uma hora? O Objetivo, logicamente, é conscientizar as pessoas sobre o aquecimento global e todos os problemas gerados por isso. O movimento ganhou força e repercussão e dia 27 de março, o apagão acontece novamente. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (4), no Rio de Janeiro, a cidade-sede nacional escolhida pela ONG.
A questão aí não é saber se um bilhão de pessoas vai apagar as luzes por uma hora, das 20h30 às 21h30 no Brasil, em ao menos 113 cidades. A pergunta que fica é: Realmente o Global Earth (como é mundialmente conhecido) faz as pessoas adotarem posturas mais ambientalmente corretas, como é um dos objetivos do WWF-Brasil?
Ao que parece, não. Não adianta apagar o Cristo Redentor, Praia de Copacabana, Arpoador, Igreja Nossa Senhora da Penha, Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, Pão de Açúcar, Fiocruz – Fundação Oswaldo Cruz – e o Jockey Club. Ufa! O Rio vai ficar no breu, em plena noite. É bom, então, a polícia ir para as ruas, se não quiserem ver mais barbáries acontecendo, como de traficantes ateando fogo em ônibus com pessoas dentro.
Talvez, o que pode ajudar na formação e fixação de uma nova consciência é o plano da prefeitura, em comum acordo com a Secretaria Municipal de Educação, de levar a mensagem da Hora do Planeta para mais de 800 mil crianças da rede municipal. Ainda assim, e as crianças ricas, que vivem em mansões, tomam banhos quentes por uma hora e ainda dormem com o ar condicionado ligado, consomem 20 vezes mais que crianças pobres... Não seriam essas as crianças que deveriam ser educadas?
A prefeitura carioca está empolgada com a participação no movimento e por ser considerada a cidade-sede. Nas palavras do Secretário Municipal de Conservação e Serviços Públicos do Rio de Janeiro, Carlos Roberto Osório, “o Rio vai se envolver tremendamente na Hora do Planeta. Queremos bater recordes e ser uma das cidades com mais adesões em todo o mundo; vamos dar um show”. Não seria melhor, antes de apagar as luzes, iluminar os becos escuros onde se escondem os marginais que matam e viciam a cidade sem serem incomodados?
O governo federal não fica atrás da moda ambientalista tomada tardiamente. Em vídeo, Carlos Minc, nosso Ministro do Meio Ambiente, afirma que a iniciativa faz parte do Plano de Mudanças Climáticas do Ministério. “Um simples gesto de desligar pode acender uma luz de alerta para o planeta”, disse. Mas ministro, se a luz ainda não foi acesa com o COP 15, em Copenhague, durante duas intensas semanas de discussões, com líderes mundiais realizando diversas reuniões para chegarem a algum acordo, como um apagão de uma hora vai mudar alguma coisa?
Mas se isso significa alguma coisa para você, e te principia a fazer realmente algo pelo meio ambiente, talvez a animação venha com esses números, ou não: 113 cidades do País, incluindo 13 capitais, participaram da Hora do Planeta no ano passado. Ícones como o Cristo Redentor, a Ponte Estaiada, o Congresso Nacional e o Teatro Amazonas ficaram no escuro por sessenta minutos. No mundo, 4088 cidades de 88 países aderiram ao movimento na última edição.